Em um cenário de juros elevados, manter o controle do fluxo de caixa deixou de ser apenas uma boa prática de gestão e passou a ser uma necessidade.
Com a Selic em 14% ao ano, recorrer a empréstimos ou linhas de crédito para financiar a operação ficou mais caro. Nesse contexto, muitas organizações descobrem um problema que costuma gerar dúvidas: apresentam lucro no balanço, mas enfrentam dificuldades para pagar parceiros comerciais, salários e outras obrigações do dia a dia.
A explicação está no capital de giro — um dos principais indicadores da saúde operacional de qualquer negócio.
Lucro e dinheiro disponível não são a mesma coisa
O lucro demonstra que, em determinado período, as receitas superaram os custos e as despesas da operação. Já o saldo disponível mostra quanto dinheiro está efetivamente acessível para cumprir os compromissos financeiros.
Imagine uma companhia que vende R$ 300 mil em mercadorias com prazo de recebimento de 90 dias. A venda gera receita e contribui para o rendimento daquele mês. No entanto, o valor só entrará no fluxo financeiro três meses depois.
Enquanto isso, parceiros comerciais, folha de pagamento, tributos e demais despesas continuam vencendo normalmente.
É nesse intervalo entre receber e pagar que aumenta a demanda por capital de giro.
Crescer também pode aumentar a demanda por recursos
Quando as vendas aumentam, normalmente também cresce a necessidade de comprar mercadorias, ampliar o volume de produtos armazenados, produzir mais e conceder prazos maiores aos clientes.
Se os pagamentos aos parceiros comerciais acontecem antes dos recebimentos das vendas, a empresa precisa financiar essa diferença com recurso próprio ou crédito bancário. Com a Selic elevada, esse financiamento passa a ter um custo muito maior, reduzindo margens e pressionando ainda mais o resultado.
Por isso, crescer sem planejamento pode gerar dificuldades mesmo em negócios rentáveis.
Produtos armazenados e contas a receber também merecem atenção
Outro aspecto importante é entender onde os ativos da empresa estão aplicados.
Mercadorias em estoque nem sempre representam segurança. Produtos com baixa saída, excesso de compras ou itens parados imobilizam valores que poderiam estar disponíveis para manter a operação.
Quais sinais indicam que o capital de giro merece atenção?
Alguns comportamentos podem indicar que o fluxo financeiro está perdendo equilíbrio, mesmo quando o faturamento continua crescendo:
- redução da liquidez, mesmo com aumento do faturamento;
- prazos de recebimento superiores aos de pagamento;
- dependência recorrente de crédito bancário para manter as atividades;
- aumento da inadimplência entre os clientes;
- distribuição de lucros incompatível com a capacidade operacional do negócio.
Contabilidade transforma números em decisões
Relatórios como o Balanço Patrimonial e a Demonstração dos Fluxos de Caixa ajudam a entender por que o dinheiro entrou ou saiu da organização, onde os recursos estão concentrados e quais decisões estão pressionando a liquidez.
Essa análise permite avaliar se a necessidade de caixa decorre do crescimento das operações, do aumento dos estoques, da inadimplência, do descasamento entre pagamentos e recebimentos ou da estrutura de financiamento adotada.
Por isso, acreditamos que uma contabilidade de qualidade não apenas registra resultados, mas fornece informações que apoiam decisões mais seguras.
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